segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um projeto de Arquitetura

(...) Encontrar um arquiteto para fazer o meu projeto. E agora? Ainda bem que a Internet já existe, acho que fica um pouco menos difícil do que era antes do evento virtual ... Ih, e agora? Como escolher entre tantos sites? Os mais bonitos terão preferência, afinal arquitetura é uma atividade estética, então quem sabe fazer um bonito site tem meio caminho andado para fazer um bonito projeto. Será? Vou olhar o conteúdo, ver se tem texto, se o texto tem profundidade, conceito ... ih, mas e se o arquiteto for sério, mas chato. Já sei, vou rezar. Ainda bem que eu sou religioso, rezando, posso contar com a ajuda de Deus...

Na verdade essa foi a impressão que tive das últimas visitas que recebi aqui no A1. Os pretensos, possíveis clientes, olhando pra mim com uns olhinhos curiosos, torcendo internamente para eu ser a tal pessoa que eles precisam pra fazer o tal projeto de arquitetura. Através dos olhinhos eles me pediam quase implorando: Seja boazinha, mostre que você entende bastante e assim te contratamos e resolvemos esse primeiro impasse.

Estou bolando uma apresentação cuidadosa e didática para este primeiro contato, vou encarar como um serviço social, se não me contratarem ao mesmo contribui com a minha experiência para elucidar um pouquinho do mundo do planejamento e projeto de arquitetura.

O que será este projeto? Não tem nenhum lugar que descreva em consenso o que deve conter um Projeto Completo de Arquitetura. E as pessoas chegam temendo expor suas diversas dúvidas a respeito, mas no fundo querendo saber tudo que for possível de modo a arrancá-los daquela situação imponderável em que se encontram antes de se colocarem nas mãos de um arquiteto escolhido.

É, parece dramática a minha expressão – se colocarem na mão do escolhido arquiteto – mas nada mais é do que isso. Porque mesmo que minha natureza didática e maternal procure expor o máximo possível de que tudo vou desenvolver, de tudo que vamos passar juntos enquanto bolamos a casa de sua vida; mesmo que em um outro escritório eles recebam uma lista dos desenhos que serão desenvolvidos ... mesmo assim eles estão na mão daquele profissional que acabaram de conhecer ... Porque pode ser que a casa não fique bonita, pode ser que a casa fique bonita, mas fique muito cara, pode ser que fique bonita, fique dentro do planejado, mas seja extremamente fria no inverno e quente no verão ... mil coisas podem ser ??? e ai, um período que é pra ser de prazer, pode virar de ansiedade ...

Mas a idéia é que não vire ansiedade, que seja uma fase de imersão em um mundo novo, no mundo da arquitetura, dos conceitos espaciais, das prospecções sobre o modo de vida da família ... Como a família vive e como o espaço arquitetônico pode contribuir para promover a integração, o conforto e a realização de um sonho, o sonho do lar, do doce lar.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Arquiteto Humanitário

Um cliente e amigo me disse uma vez em uma reunião: é preciso que um arquiteto seja mais que um artista, mais que um cientista, mais que um técnico. Nossa!!! O que ele tem que ser? Fiquei aflita só de imaginar o tamanho do desafio, e ele fez pausa e tudo para tornar a revelação mais tensa:
- Um humanitário, disse ele.
Eu fiquei olhando e pensando, deve ser algo parecido com humanista, enfim fiquei pensando que era mais uma coisa que eu deveria procurar ser para atender as expectativas de bom profissional, arquiteto. Enquanto pensava tudo isso ele me disse: - Ale, você é humanitária. Eu olhei para ele aliviada, ufa, e pensei, seja lá o que for é uma coisa a menos pra eu colocar na minha lista de tenho que fazer ... e pensei, seja lá o que exatamente isso significa deve ser bom, porque ele falou em um tom elogioso, como se estivesse esperando uma hora certa pra me fazer essa colocação.

Ele foi embora e eu fui para o meu dicionário, que está sempre comigo, é o impresso de sempre ... meu velho e bom dicionário.
Lá estava, nossa, é legal mesmo:
HUMANITÁRIO adj. (Do fr. Humanitaire.) 1. Que se interessa pela humanidade e pela melhoria da condição humana – 2. Que tem sentimentos de humanidade; bondoso.

Pois é, quem diria, que legal. Vou incluir isto no meu plano de aulas que estou preparando para as minhas aulas que darei depois do 45, daqui há dez anos. Em uma dessas aulas direi que um bom arquiteto passa pelo bondoso. Faz todo sentido, sempre pensei isso, mas não me dava o aval de discutir isso em uma aula, tinha medo que parecesse piégas, mas agora que meu cliente com MBA comentou isso em um ensejo profissional, me sinto encorajada pra repeti-lo em um ensejo acadêmico.
- Seja bondoso e isso fará de você um arquiteto melhor.
(Não necessariamente um bom arquiteto, porque é preciso analisar caso a caso e ver se você tem um bom arquiteto dentro de você, mas de qualquer forma sendo bondoso será um melhor arquiteto do que seria se não fosse bondoso, desculpe o palavrório, mas quando nos propomos a conversar é preciso conversar).
Bem, aproveitando a licença poética acrescento a isso o que meu pai me disse quando me formei e me lembra sempre que tem oportunidade:
- Minha filha antes de um grande profissional, está um grande homem.

Grande, não quer dizer grandioso, espetacular, não é isso ... sei que meu pai se refere a uma homem que foi se construindo a partir de princípios e valores que algumas vezes tornam o caminho mais longo e um pouco mais difícil, mas que nem por isso cortam caminho ou deixam de empilhar tijolo por tijolo, manualmente, diariamente ...

Um dia no terceiro ano da faculdade, fiz contato com professores incríveis, foi quando conheci a obra de arquitetos incríveis e então nasceu a arquiteta que estava gestando dentro de mim ... naquele dia não tive mais dúvida, dedicaria a minha vida a ser arquiteta, me realizaria profissionalmente pela arquitetura.
Mas o que era aquela arquitetura? Era tão linda, tão pura, tão óbvia aquela arquitetura que se me apresentava. Era então só seguir aqueles mestres arquitetos.
Uma voz que se apresenta a mim em situações extremas me disse: a sua geração precisa tornar mais humana e aconchegante essa bela arquitetura que você acaba de conhecer.
E me senti motivada, como se acabasse de assumir posto em um exercito jovem que aprenderia com os mestres e acrescentaria um pouquinho de aconchego quando conseguisse. Sigo assim ... na tentativa, na busca, no empenho cotidiano ...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Blog

Achava demais quando ouvia alguém dizer que tinha um blog. Aquilo me parecia muito cool, jovem, descolado. Algo assim bem distante dos meus 35 aninhos, já me sentia tia dessa moçada que tinha um blog. Ai, por ocasião do novo site do A1, alguém me perguntou: Ale, vc não quer ter um blog? Eu ouvi aquilo de um modo distante, como se estivessem me perguntando se eu queria participar como navegadora do próximo rali dos Sertões ... nossa eu teria um blog.
Bem, escrevi empolgada meu primeiro texto, introdutório, do meu blog.
Recebi uma ligação da minha irmã, a Ju, 11 anos mais nova.
- Oi Ale, sinistro, você agora é blogueira.
Respondi
- Ai Ju, sou blogueira, sinistro ...

Rejuvenesci uns 10 aninhos.

Bom, mas a coisa não foi bem. Eu fiz o tal blog e segui a minha vida de adulta, meu bebê, escritório, os projetos, assinar os cheques ...

Ai, recebo outro telefone da Ju;

- Ale, o que está acontecendo?
- Por que Ju?
- E o blog? Mancada sua hein, blog não é carta de correio que vc escreve uma vez por ano ...

Então aqui estou, até que eu tenha que admitir que não consigo, sigo blogueira, atualizando meu blog conforme dita o Manual de boas maneiras da moçada do blog.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A vida e as coisas como elas são

Encontro

A vida é a arte do encontro ... essa frase me nortea há alguns anos ... quando comecei a vivenciá-la me veio a vontade de fazer o mestrado, de encontrar o alguém pra casar, de fazer um filhinho, de fazer família ... a vida é a arte do encontro, o encontro é uma arte na vida.
Encontramos pessoas e as coisas acontecem, elas acontecem pela soma das visões e das forças. Acredito mesmo no grupo, no coletivo. Minha vó já me dizia quando eu ainda era pequenina: “uma andorinha só não faz verão”., da frase eu só entendia o SÓ, eu entendia que alguém estava só e por isso alguma coisa que era pra acontecer não acontecia ... eu não sabia bem o que a andorinha e o verão tinham a ver com mensagem, apenas que o melhor era estar junto ... então cresci assim, acreditando no grupo, em um colaborando para neutralizar alguma falha do todo e assim os feixes todos juntos fortes ficariam. Quando fui materializar o sonho de escritório pensei que precisaria ser um nome que não se reportasse a um individuo, não deveria ser o nome da sócia principal ou algo assim, queria um nome que representasse um grupo ... assim, desse pensamento-sentimento nasceu o A1. Sabe se conseguíssemos aprender a pensar coletivamente teríamos muito menos problemas, mas falar assim soa a piegas, parece que estou enxergando uma saída e preciso de aliados nessa empreitada de salvação da humanidade e de seu planeta-casa. Não gosto mais de ficar carregando bandeiras com tom de salvação, me parece ingênuo e vaidoso.
Se o coletivismo fosse algo natural do ser humano estaríamos vivenciando isso impreterivelmente, como acontece com a natalidade ou com a apropriação da terra ... sem que ninguém ensine as pessoas têm seus muitos filhos e dedicam sua vida a ter um lugar seu ... quando é natural acontece ... mas hoje ainda vivemos uma realidade mais egóica, onde impera a busca pelo ganho pessoal antes de qualquer outro. E sabe, tudo bem. Seguimos assim, observando e procurando compreender a vida e as coisas como elas são ... cada um faz uma coisinha na direção do que considera mais saudável e mais feliz. Mas inicio o blog como eu inicio um projeto e como eu iniciaria minha vida, se hoje ela começasse, pensando que a vida é a arte do encontro.