Um cliente e amigo me disse uma vez em uma reunião: é preciso que um arquiteto seja mais que um artista, mais que um cientista, mais que um técnico. Nossa!!! O que ele tem que ser? Fiquei aflita só de imaginar o tamanho do desafio, e ele fez pausa e tudo para tornar a revelação mais tensa:
- Um humanitário, disse ele.
Eu fiquei olhando e pensando, deve ser algo parecido com humanista, enfim fiquei pensando que era mais uma coisa que eu deveria procurar ser para atender as expectativas de bom profissional, arquiteto. Enquanto pensava tudo isso ele me disse: - Ale, você é humanitária. Eu olhei para ele aliviada, ufa, e pensei, seja lá o que for é uma coisa a menos pra eu colocar na minha lista de tenho que fazer ... e pensei, seja lá o que exatamente isso significa deve ser bom, porque ele falou em um tom elogioso, como se estivesse esperando uma hora certa pra me fazer essa colocação.
Ele foi embora e eu fui para o meu dicionário, que está sempre comigo, é o impresso de sempre ... meu velho e bom dicionário.
Lá estava, nossa, é legal mesmo:
HUMANITÁRIO adj. (Do fr. Humanitaire.) 1. Que se interessa pela humanidade e pela melhoria da condição humana – 2. Que tem sentimentos de humanidade; bondoso.
Pois é, quem diria, que legal. Vou incluir isto no meu plano de aulas que estou preparando para as minhas aulas que darei depois do 45, daqui há dez anos. Em uma dessas aulas direi que um bom arquiteto passa pelo bondoso. Faz todo sentido, sempre pensei isso, mas não me dava o aval de discutir isso em uma aula, tinha medo que parecesse piégas, mas agora que meu cliente com MBA comentou isso em um ensejo profissional, me sinto encorajada pra repeti-lo em um ensejo acadêmico.
- Seja bondoso e isso fará de você um arquiteto melhor.
(Não necessariamente um bom arquiteto, porque é preciso analisar caso a caso e ver se você tem um bom arquiteto dentro de você, mas de qualquer forma sendo bondoso será um melhor arquiteto do que seria se não fosse bondoso, desculpe o palavrório, mas quando nos propomos a conversar é preciso conversar).
Bem, aproveitando a licença poética acrescento a isso o que meu pai me disse quando me formei e me lembra sempre que tem oportunidade:
- Minha filha antes de um grande profissional, está um grande homem.
Grande, não quer dizer grandioso, espetacular, não é isso ... sei que meu pai se refere a uma homem que foi se construindo a partir de princípios e valores que algumas vezes tornam o caminho mais longo e um pouco mais difícil, mas que nem por isso cortam caminho ou deixam de empilhar tijolo por tijolo, manualmente, diariamente ...
Um dia no terceiro ano da faculdade, fiz contato com professores incríveis, foi quando conheci a obra de arquitetos incríveis e então nasceu a arquiteta que estava gestando dentro de mim ... naquele dia não tive mais dúvida, dedicaria a minha vida a ser arquiteta, me realizaria profissionalmente pela arquitetura.
Mas o que era aquela arquitetura? Era tão linda, tão pura, tão óbvia aquela arquitetura que se me apresentava. Era então só seguir aqueles mestres arquitetos.
Uma voz que se apresenta a mim em situações extremas me disse: a sua geração precisa tornar mais humana e aconchegante essa bela arquitetura que você acaba de conhecer.
E me senti motivada, como se acabasse de assumir posto em um exercito jovem que aprenderia com os mestres e acrescentaria um pouquinho de aconchego quando conseguisse. Sigo assim ... na tentativa, na busca, no empenho cotidiano ...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
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